Um olhar para as escolas
A importância do olhar para além do diagnóstico. Na escola, esse movimento aparece com frequência quando o diagnóstico chega antes da criança. Ele vem no papel, no laudo, nas orientações técnicas. O risco é que a criança passe a ser vista apenas a partir de suas limitações, e não de suas potencialidades
Arlete Jordano
1/26/20262 min read
A importância do olhar para além do diagnóstico
Existe um risco silencioso quando o diagnóstico passa a ocupar todo o espaço, apagando o sujeito que está ali. Quando isso acontece, o olhar do adulto tende a se fixar no que falta, no que não funciona ou no que preocupa, deixando em segundo plano a criança real, com sua história, seus vínculos e suas possibilidades de desenvolvimento.
Na escola, esse movimento aparece com frequência quando o diagnóstico chega antes da criança. Ele vem no papel, no laudo, nas orientações técnicas. Antes mesmo do encontro, a criança já foi nomeada. O risco, nesse momento, é que ela passe a ser vista apenas a partir de suas limitações, e não de suas potencialidades, o que pode empobrecer as experiências oferecidas e limitar seu percurso de aprendizagem.
Crianças, por exemplo com autismo, encefalopatia crônica ou deficiência intelectual, entre outras síndromes e transtornos, aprendem sim — mas aprendem de formas singulares. O ritmo, a maneira de se expressar, de se movimentar e de se relacionar com o saber pode ser diferente, e isso exige um olhar atento e flexível da equipe escolar.
O Psicopedagogo e Psicomotricista
A psicopedagogia contribui para compreender como essa criança aprende, quais são suas possibilidades de construção do conhecimento e quais caminhos pedagógicos podem favorecer sua aprendizagem. Ela ajuda a escola a sair da lógica do “não consegue” para a pergunta “o que é possível para essa criança agora?”.
A psicomotricidade amplia ainda mais esse olhar ao considerar que muitas dificuldades escolares estão ligadas à forma como a criança organiza seu corpo, suas emoções e sua relação com o espaço e com o outro. Atenção, escrita, leitura, comportamento e interação passam pelo corpo.
Do ponto de vista psicanalítico, a escola também ocupa um lugar fundamental na constituição do sujeito. Quando o aluno é visto apenas pelo diagnóstico, ele pode ocupar um lugar de exclusão ou de expectativa muito baixa. Quando é visto como sujeito, ele encontra espaço para se desenvolver.
Incluir é sustentar a presença dessa criança, oferecer estrutura, previsibilidade, vínculo e experiências possíveis. Não se trata de negar as dificuldades, mas de não reduzir a criança a elas.
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No Brincar & Movimento, acreditamos que olhar para além do diagnóstico é abrir espaço para o que a criança pode construir — no seu tempo, do seu jeito, com sustentação, cuidado e respeito.
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